Try no Power Query: capture erros e preserve a origem
Usar try no Power Query permite inspecionar uma expressão que pode produzir erro e decidir como tratar o resultado. Isso é útil em arquivos que misturam números válidos e entradas incompatíveis. O tratamento precisa preservar o que veio da fonte, para que a carga não pareça correta apenas porque os erros foram escondidos.
Este roteiro usa uma coluna hipotética de valores textuais, chamada ValorTexto. A meta é obter números quando a conversão for válida e manter uma fila de revisão para os demais casos, sem converter informação desconhecida em valor confirmado.
1. Defina o objetivo de try no Power Query
Escolha qual expressão será protegida e qual decisão será tomada se ela falhar. Neste exemplo, o risco está na interpretação de ValorTexto como número em uma convenção regional conhecida. O objetivo não é ignorar qualquer erro que apareça em qualquer etapa.
Registre a regra da fonte: separadores esperados, unidade, possibilidade de ausência e valores permitidos. Uma conversão bem-sucedida não garante validade de negócio. Um número negativo pode ser permitido em estornos e inválido em outro campo. Preserve essa validação separadamente, evitando chamar toda conversão numérica de “dado aprovado” quando ela apenas demonstrou que o texto pôde ser interpretado.
2. Preserve identificador e conteúdo original
Mantenha chave do registro, arquivo, planilha ou outra referência necessária para localizar a origem. Não sobrescreva ValorTexto antes de guardar a representação recebida. Uma correção posterior precisa permitir conferir o que mudou e por quê.
O guia de combinação de arquivos complementa a preservação da procedência. Se o mesmo identificador pode aparecer em arquivos diferentes, defina uma chave de ocorrência apropriada. Um registro pendente não deve desaparecer da fila quando outra origem entregar o mesmo número de linha. Essa referência também evita solicitar ao responsável uma correção sem indicar exatamente qual entrada precisa de revisão.
3. Capture uma conversão com cultura explícita
A referência de Number.FromText documenta a interpretação de texto como número e o argumento opcional de cultura. No exemplo, a fonte foi definida para o padrão brasileiro. A escolha precisa corresponder ao arquivo real, não somente ao idioma do computador.
try Number.FromText([ValorTexto], "pt-BR")
Adicione essa expressão em uma coluna personalizada chamada Conversao. Os nomes são didáticos. M é a linguagem de transformação do Power Query.
Uma amostra hipotética com “1.234,50” deve ser conferida segundo a convenção aprovada, enquanto um texto incompatível deve permanecer identificado como falha. Teste separadores e entradas de diferentes origens antes de aplicar uma cultura única à consolidação inteira.
4. Examine o registro retornado por try
A documentação de tratamento de erros da Microsoft, consultada em 14 de outubro de 2026, descreve o registro produzido por try. Ele permite consultar HasError e o valor ou o registro de erro, conforme o resultado.
Expanda os campos necessários para separar sucesso de falha. Quando houver erro, examine motivo, mensagem e detalhe disponíveis. Use essas informações para investigar, sem depender somente do rótulo visual Error.
O diagnóstico deve manter o vínculo com a entrada original. Mensagens técnicas podem mudar conforme fonte e operação; não transforme o texto completo de uma mensagem em uma categoria gerencial permanente sem uma regra de interpretação e revisão.
5. Separe falha de conversão e valor ausente
Uma entrada nula pode resultar em valor nulo sem erro nessa conversão. Isso não equivale a um número válido nem a uma falha técnica. Prepare situações distintas, como convertido, ausente e erro de conversão, conforme a especificação da coluna.
No exemplo hipotético, um registro com ValorTexto ausente segue para conferência de preenchimento, enquanto uma palavra em campo numérico segue para revisão de formato. Ambos podem impedir um total completo, mas pedem correções diferentes. Não use apenas HasError falso como autorização para considerar a linha integralmente preenchida. Confira também o valor resultante e os requisitos de negócio aplicáveis ao registro.
6. Produza uma coluna numérica sem apagar o diagnóstico
Depois da captura, crie uma coluna numérica separada. A expressão abaixo usa o registro Conversao e devolve o valor quando a operação não falhou. O nulo nas falhas é uma ausência de número utilizável, acompanhada da situação de revisão.
if [Conversao][HasError]
then null
else [Conversao][Value]
Defina explicitamente o tipo da coluna final e preserve os campos de auditoria necessários em uma consulta de apoio. O guia de coluna condicional complementa a organização das situações. Não deixe que o rótulo de revisão desapareça quando a coluna numérica estiver pronta, pois o relatório ainda precisa mostrar a abrangência dos valores que entraram na soma.
7. Use alternativa somente quando houver uma regra aprovada
A sintaxe try com otherwise permite devolver uma alternativa quando a expressão gera erro, conforme a documentação da Microsoft. Essa alternativa deve ter uma justificativa na fonte ou no processo. Não existe obrigação de substituir toda falha por zero.
Um campo auxiliar confirmado pode ser uma alternativa válida em um cenário específico, desde que sua precedência esteja documentada. Registre se o número final veio da coluna principal ou da alternativa. Se ambas forem inválidas, mantenha o caso pendente. Caso contrário, o total pode parecer completo enquanto depende de valores de origem diferente, aplicados silenciosamente e sem possibilidade de conferência posterior.
8. Organize consultas de aceitos e pendentes
Crie uma visão com linhas utilizáveis para a finalidade definida e outra com as que exigem revisão. Preserve contagens e identificadores nas duas. Uma linha pode ter conversão válida e ainda falhar em outra regra, como unidade desconhecida ou chave ausente.
O artigo de perfil de dados complementa a análise de abrangência. Mostre quantas linhas foram recebidas, quantas têm número disponível e quantas permanecem sem valor utilizável. A soma de valores convertidos não representa automaticamente o total completo da fonte. Esse limite precisa estar visível quando a área usa o resultado para discutir faturamento ou comparar competências.
9. Teste sucesso, ausência, erro e falha anterior
Monte uma amostra com número simples, separadores esperados, negativo, zero, nulo e texto incompatível. Inclua também um arquivo com uma coluna obrigatória ausente. Um try aplicado à conversão por linha não garante que toda a consulta anterior consiga produzir a tabela esperada.
Confira a etapa em que cada falha ocorre e trate mudanças de estrutura segundo uma política própria. Não envolva toda a transformação em uma alternativa vazia que devolva uma tabela sem linhas sem explicar o ocorrido. Valide uma atualização com arquivo novo e registre os casos esperados. A ausência de erro na tela não basta quando a atualização pode ter deixado de carregar registros.
10. Reconcilie a carga antes de publicar o resultado
Compare quantidade recebida com aceitos e pendentes, sem perder linhas durante expansões ou filtros. Confira valores conhecidos e a origem de qualquer alternativa aplicada. O guia de agrupamento no Power Query complementa a conferência por arquivo e situação.
O modelo editável de Vendas inclui faturamento e análises por grupos. Antes de adaptar uma fonte textual, valide conversão, unidade e abrangência. Use try para tornar a falha examinável e encaminhar correções com referência de origem. O tratamento está pronto quando cada número utilizado e cada caso pendente podem ser rastreados, sem confundir carga executada com dado integralmente confirmado.
