Power BI · 2026-10-11

Agrupar no Power Query: consolide sem perder detalhe

Aprenda a agrupar no Power Query com várias chaves, somas e detalhes preservados. Confira granularidade, médias e totais antes de carregar o modelo.

Agrupar no Power Query: consolide sem perder detalhe

Agrupar no Power Query: consolide sem perder detalhe

Agrupar no Power Query permite transformar linhas detalhadas em resumos com uma unidade de análise definida. O desafio é escolher quais diferenças podem desaparecer. Consolidar itens em pedidos pode ser útil; consolidar todos os pedidos de um cliente pode impedir análises posteriores de frequência ou prazo.

Este guia usa um exemplo hipotético de vendas para construir um resumo por pedido e manter uma consulta de conferência. As operações técnicas seguem a documentação da Microsoft consultada em 11 de outubro de 2026.

1. Defina uma frase para a linha de saída

Antes de abrir a transformação, escreva o que uma linha final representa. Neste projeto: “um pedido de uma empresa, em uma data comercial definida”. Essa frase determina as chaves do agrupamento e impede que o código de pedido, repetido em sistemas diferentes, misture negócios distintos.

Liste também quais análises precisam continuar possíveis. Se o relatório deverá mostrar produtos comprados juntos, um resumo que remove ProdutoID não substitui a base de itens. Pode ser uma consulta adicional para indicadores no nível do pedido. Mantenha a base detalhada com sua finalidade explícita e decida quais consultas serão carregadas, considerando o desenho completo do modelo.

2. Prepare tipos e chaves antes de agrupar no Power Query

Confira se códigos mantêm zeros iniciais e se valores monetários foram interpretados com a configuração regional correta. Um campo textual “0012” pode ter significado diferente de um número 12 no cadastro. Não normalize identificadores sem uma regra aprovada para aquela fonte.

Trate espaços e grafias inconsistentes nas colunas que deveriam representar a mesma chave. Guarde a origem para investigar divergências. Revise valores ausentes e erros de conversão antes da soma: uma transformação que remove linhas problemáticas pode gerar um total limpo e incompleto. O artigo de perfil de dados no Power Query ajuda a organizar essa verificação de entrada.

3. Use Agrupar por com todas as chaves necessárias

Selecione Agrupar por e use a opção avançada para informar mais de uma coluna de agrupamento. A documentação da Microsoft sobre agrupamento descreve agregações como soma, contagem de linhas e a opção Todas as linhas. Esta última conserva os registros de cada grupo em uma tabela aninhada.

Para o exemplo, informe EmpresaID e PedidoID como chaves. Crie ReceitaPedido pela soma de ReceitaItem e Linhas pela contagem dos registros. Não inclua ReceitaItem entre as chaves: isso dividiria o pedido conforme os valores dos itens. Depois confira a prévia de dois pedidos conhecidos, incluindo um com vários itens e outro com somente um.

4. Leia o código Table.Group gerado

O exemplo abaixo supõe uma etapa anterior chamada Base, com EmpresaID, PedidoID e ReceitaItem já preparados. É um código didático original para somar itens e contar linhas. Os nomes precisam corresponder às suas colunas reais.

Table.Group(
    Base,
    {"EmpresaID", "PedidoID"},
    {
        {"ReceitaPedido", each List.Sum([ReceitaItem]), type nullable number},
        {"Linhas", each Table.RowCount(_), Int64.Type}
    }
)

As chaves identificam os grupos e as expressões definem as colunas agregadas. A referência de Table.Group esclarece que a função não garante a ordem das linhas retornadas. Se uma etapa posterior precisar de ordem, defina-a explicitamente. Não interprete a posição da primeira linha na prévia como garantia de qual pedido será processado primeiro.

5. Diferencie linhas, pedidos e clientes

Contar linhas dentro do grupo informa quantos registros de origem entraram naquele pedido. Isso não é necessariamente quantidade de produtos distintos nem unidades vendidas. Um item pode aparecer mais de uma vez por entrega parcial, desconto ou estrutura da exportação.

Em um exemplo hipotético, cinco linhas de um pedido representam três produtos e oito unidades. O resumo terá uma linha, Linhas igual a cinco e ReceitaPedido somada, mas não responderá sozinho quantos produtos distintos existem. Nomeie cada medida segundo sua unidade. Antes de usar contagem como indicador, identifique o evento registrado pela fonte e confira se há duplicidades que deveriam ser corrigidas antes da agregação.

6. Preserve detalhes quando precisar investigar

Crie uma consulta de apoio com Todas as linhas para os mesmos grupos. Ao selecionar a tabela aninhada de um pedido, você pode examinar os registros que contribuíram para o resumo. Isso é útil para explicar uma soma inesperada ou revisar atributos contraditórios.

Decida se essa estrutura é apenas uma ferramenta de preparação ou se algum detalhe precisa ser carregado em outra tabela. Evite carregar tabelas aninhadas sem uma finalidade de consumo. Ao expandir os detalhes, as linhas voltam a se multiplicar: a receita agregada repetida em cada item não pode ser somada como receita nova. Mantenha resumo e detalhe separados na conferência para evitar essa duplicação.

7. Valide atributos que deveriam ser únicos

Um pedido pode ter data e cliente que deveriam ser iguais em todas as linhas. Antes de preservar esses atributos por mínimo ou máximo, confira se existe apenas um valor válido por pedido. Um agrupamento não deve resolver silenciosamente um cadastro contraditório.

Se um pedido hipotético tiver duas datas comerciais, registre a inconsistência e investigue a origem. Escolher a menor data pode esconder uma reemissão ou junção indevida. Defina uma regra somente depois de entender o evento. Para acompanhar diferentes datas legítimas, consulte datas de pedido e entrega no modelo; elas precisam de papéis diferentes, não de uma data arbitrária produzida pela agregação.

8. Recalcule médias a partir de componentes compatíveis

Não tire a média simples de médias que representam grupos de tamanhos diferentes. Preserve numerador e denominador quando o indicador exigir ponderação. Para valor médio por pedido, a receita total dividida pela quantidade de pedidos válidos responde à pergunta com os componentes adequados.

Considere dois grupos hipotéticos: um tem dois pedidos e receita de R$ 200; outro tem oito pedidos e receita de R$ 1.600. As médias são R$ 100 e R$ 200, mas a média conjunta é R$ 180, não R$ 150. Mantenha receita e contagem no resumo. Além disso, confirme que as receitas e os pedidos seguem a mesma política de cancelamento e validade.

9. Reconcilie antes e depois da transformação

Compare soma de ReceitaItem antes do agrupamento com soma de ReceitaPedido depois, usando a mesma população. Confira quantidade de grupos contra uma lista de chaves distintas. Investigue qualquer diferença antes de carregar o resultado no relatório.

Teste pedidos com valor zero, valor negativo permitido, chave ausente e duplicidade de item. Verifique também se uma mesclagem anterior multiplicou linhas. O guia de mesclagem sem duplicar vendas complementa esse teste.

Uma soma correta sobre linhas já duplicadas continua sendo um resultado errado para o negócio. Guarde uma amostra rastreável com chaves, totais e versão da transformação.

10. Escolha o que carregar e o que continuar medindo

Um resumo fixo na preparação não recupera detalhes removidos quando o usuário altera filtros no relatório. Se a análise por produto continuar necessária, preserve a fato de itens e use o resumo somente para sua finalidade definida. Evite misturar métricas em níveis diferentes na mesma soma.

O modelo editável de Vendas inclui análises de faturamento e ticket médio. Ao adaptar sua base, confirme a granularidade esperada por cada medida antes de substituir tabelas. Faça a primeira carga com poucos pedidos conhecidos, reconcilie os valores e teste filtros. A consolidação está pronta quando preserva o significado do indicador e permite explicar cada diferença encontrada.