OTIF no Power BI: entregas completas e dentro do prazo
Entregar pontualmente apenas parte do pedido pode deixar o cliente sem condições de operar. Entregar tudo depois da data combinada também não atende ao compromisso original. Uma análise de OTIF no Power BI reúne essas duas condições para acompanhar o serviço logístico com uma regra explícita.
Neste guia, OTIF representa a proporção de pedidos elegíveis entregues integralmente e dentro do prazo acordado. A definição operacional proposta precisa ser validada pela empresa, porque tolerâncias, unidade de análise e tratamento de exceções podem variar. O foco é construir um indicador auditável, não adotar uma fórmula sem conhecer seus dados.
1. Defina o compromisso usado na avaliação
Registre a data ou janela de entrega combinada e a quantidade aceita para cada item. Diferencie a promessa original de uma renegociação aprovada. Se o prazo for sobrescrito a cada atraso, o histórico pode mostrar desempenho excelente enquanto o cliente enfrentou sucessivas mudanças.
Defina também se antecipação é permitida, qual tolerância existe e como serão tratados pedidos cancelados pelo cliente. Mantenha essas regras documentadas junto ao painel. A equipe precisa entender por que um pedido entrou no denominador e por que recebeu determinada classificação.
2. Escolha entre pedido, item e entrega
Uma análise por pedido responde se o compromisso inteiro foi cumprido. Uma análise por item identifica produtos problemáticos. Uma análise por entrega acompanha viagens ou remessas. As três podem coexistir, mas os percentuais não são intercambiáveis e devem receber nomes diferentes.
Considere um pedido hipotético com três itens: dois chegam corretamente e o terceiro falta. Na regra por pedido adotada aqui, ele não é completo. Contar duas linhas aprovadas em três informa desempenho por item; apresentar esse resultado como OTIF por pedido altera o significado do indicador.
3. Prepare o modelo para entregas parciais
Separe pedidos, itens solicitados e eventos de entrega quando as fontes tiverem granularidades diferentes. Inclua identificadores de pedido e item, quantidade solicitada, quantidade entregue, datas e situação. Padronize unidades de medida antes de comparar caixas, unidades e volumes.
A orientação de modelo estrela da Microsoft destaca a importância de fatos com granularidade consistente. Essa ideia ajuda a evitar que o valor ou a quantidade do pedido seja multiplicado ao combinar suas linhas com várias entregas. Reconcilie os totais com a origem antes de classificar o serviço.
4. Avalie a quantidade entregue até o prazo
Na regra deste artigo, um pedido é aprovado somente quando todos os seus itens atingem a quantidade acordada dentro da janela permitida. Uma entrega complementar posterior pode concluir o pedido operacionalmente, mas não transforma retroativamente uma falta no prazo em atendimento integral pontual.
Exemplo didático: foram solicitadas 100 unidades para entrega até sexta-feira. Chegam 80 na sexta e 20 na segunda. O pedido termina completo, porém não cumpre simultaneamente as duas condições na referência combinada. Se a empresa usar outra convenção, identifique-a claramente para evitar comparação com métricas diferentes.
5. Construa numerador e denominador compatíveis
O numerador deve contar pedidos aprovados pelas duas condições. O denominador deve contar os pedidos elegíveis da mesma população. Uma opção operacional é avaliar pedidos cujo prazo venceu no período, incluindo os ainda pendentes; analisar apenas pedidos entregues pode esconder atrasos em aberto.
OTIF % =
DIVIDE(
[Pedidos Completos no Prazo],
[Pedidos Elegíveis]
)
As duas medidas precisam ser implementadas segundo a regra definida anteriormente. A função DIVIDE, documentada pela Microsoft, retorna vazio por padrão quando o denominador é zero. Nesse cenário, mostre ausência de pedidos elegíveis, em vez de interpretar automaticamente o resultado como desempenho perfeito ou nulo.
6. Mostre causas separadas de falha
Além do percentual principal, distribua os pedidos entre completos e pontuais, completos e atrasados, incompletos no prazo e incompletos com atraso. Use categorias mutuamente exclusivas para que o gestor consiga reconciliar a quantidade total. Evite somar classificações sobrepostas como se fossem pedidos distintos.
Acrescente motivo operacional quando houver registro confiável: indisponibilidade, separação, transporte, documentação ou restrição de recebimento. O indicador localiza o problema; o motivo exige evidência. Relacione a análise ao dashboard de logística para acompanhar volume e distribuição da operação.
7. Analise serviço junto com custo e qualidade
Compare transportadora, rota e centro de distribuição considerando perfil dos pedidos e distância. Uma transportadora responsável por destinos difíceis não pode ser julgada apenas por uma média sem contexto. Mostre o tamanho da amostra para evitar decisões baseadas em poucas ocorrências.
Melhorar prazo com remessas emergenciais pode elevar o custo de frete. Da mesma forma, entrega pontual não elimina avarias ou devoluções. Acompanhe essas dimensões lado a lado, sem modificar a definição do OTIF para incorporar tudo em um único percentual.
8. Faça testes com casos conhecidos
Separe pedidos de conferência: entrega única correta, remessa parcial completada no prazo, complemento atrasado, cancelamento aprovado e pedido vencido ainda aberto. Calcule manualmente a classificação e compare com o painel. Esse conjunto revela erros que uma comparação do total mensal pode esconder.
Confira também horários, fusos, finais de semana e campos vazios. Uma data sem horário não sustenta avaliação por minuto. Quando o recebimento não estiver confirmado, sinalize pendência de informação e documente como ela afeta a elegibilidade, sem substituir automaticamente a data real pela prevista.
9. Transforme o indicador em revisão operacional
Defina uma frequência de acompanhamento e responsáveis pelas exceções. A reunião deve examinar pedidos em risco antes do vencimento e falhas já ocorridas depois dele. Registre ações, causas confirmadas e mudanças de processo para avaliar se o serviço melhora ao longo do tempo.
O modelo editável de Logística oferece um ponto de partida para organizar indicadores operacionais. A lógica de OTIF apresentada exige conferir campos e adaptar medidas; não presuma que o indicador já esteja implementado no produto. A utilidade depende da consistência do compromisso registrado e da qualidade das confirmações de entrega.
